sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O que é o UNFPA? E o que é um Embaixador de Boa Vontade?

Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) é a agência de desenvolvimento internacional da ONU que trata de questões populacionais, sendo responsável por ampliar as possibilidades de mulheres e jovens levarem uma vida sexual e reprodutiva saudável. O UNFPA trabalha para acelerar o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva, incluindo o planeamento familiar voluntário e a maternidade segura; e busca a efectivação dos direitos e oportunidades para as pessoas jovens.

O orçamento do fundo provém de contribuições voluntárias, a maior parte vindas de governos dos estados membros das Nações Unidas. Por exemplo, em 2007, o Estado Português, através do IPAD, contribuiu com 250 mil euros para a construção da maternidade em Gabu, na Guiné Bissau. Mas em anos posteriores o governo português não financiou directamente o UNFPA.

Desde 1953 existe a figura do Embaixador de Boa Vontade, nomeados pelos diversos fundos da ONU e confirmados pelo Secretário Geral. São pessoas com alguma notoriedade na sociedade civil, que advogam a favor dum fundo, programa, ou agência. Mas trazer visibilidade à organização é, talvez, a mais fácil e menor das suas funções. Têm que conhecer bem a área de intervenção do fundo; ir ao terreno sentir a realidade para lá dos dados lidos no papel; reunir-se com os decisores políticos dos países; passar a mensagem para a imprensa e amplificar a voz daqueles que o fundo pretende ajudar.

O que faz uma embaixadora? Usa a voz como um altifalante. É a porta-voz de quem não tem voz. Não é fazer caridade. É criar estruturas e projectos que sejam auto-sustentados e que se prolonguem na vida. É partir para o terreno de países mais desfavorecidos e usar a força mediática para denunciar determinadas realidades e condições desumanas, em particular no que diz respeito às mulheres e às crianças. Quando vou à Guiné, São Tomé, Cabo Verde, Timor, Indonésia, Moçambique, vivo as emoções no local, coloco nos olhos a realidade que antes apenas lia e ouvia. E quando regresso tento ter a capacidade de comover tanto os directores de empresas como os portugueses para as minhas causas. Tem sido uma dura batalha, com o apoio cúmplice de Alice Frade, da Associação para o Planeamento da Família, e é necessário imensa imaginação para conseguir resultados positivos.

Mas, qual será a tradução correcta de Goodwill Ambassador? Quando a Catarina assumiu o cargo, a designação mais frequentemente na imprensa era "Embaixadora da Boa Vontade do UNFPA". Ultimamente, já tem sido usada a tradução oficial de "Embaixadora de Boa Vontade do UNFPA". Eu considero ambas as maneiras correctas, pois revelam o carácter ambivalente do termo Goodwill; se a última assume o carácter voluntário do cargo, a primeira assume o empenho do embaixador em tornar o mundo melhor e mais solidário.

Continuando com o exemplo, em 2007, a Catarina convenceu a RTP a transmitir uma emissão especial Dança Comigo por uma Boa Causa, que angariou outros 250 mil euros, doados pelos telespecadores, e que se juntaram aos dados pelo Estado Português. Nos anos seguintes deslocou-se à Guiné-Bissau para acompanhar a aplicação desse dinheiro em projectos do geridos pelo UNFPA nas áreas da saúde materna e neonatal. Essas viagens, e o trabalho da Catarina na qualidade de Embaixadora de Boa Vontade, podem ser vistas nos 3 documentários Dar Vida Sem Morrer, transmitidos pela RTP entre 2009 e 2010.

Apesar de hoje Portugal ser um contribuinte esporádico para o fundo, nos anos 70 beneficiou do apoio dado pelo UNFPA a projectos na área do planeamento familiar. A APF (Associação para o Planeamento da Família) foi desde o inicio o meio de ligação do fundo a Portugal, e deu apoio ao trabalho da Catarina. Em 2012, essa função passou para a recém-criada P&D Factor (Associação para a Cooperação sobre População e Desenvolvimento). A colaboração entre a Associação Corações com Coroa e a P&D Factor tem sido próxima e frequente.

Catarina na Assembleia Geral das Nações Unidas em 2014 (fonte: revista Máxima/foto: Branislav Simoncik)

O trabalho duma Embaixadora de Boa Vontade é inteiramente voluntário e não remunerado. É um cargo vitalício enquanto forem desempenhadas as funções incumbidas. A Catarina tem merecido a confiança do UNFPA, mantendo-se em funções desde o ano 2000.

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