quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Corações com Coroa Café convida: «Meninas e Raparigas: Educação, Saúde, Igualdade e Direitos»

O Professor Malam Djassi, um pouco ensonado devido a uma viagem madrugadora da Guiné-Bissau para Lisboa, sentou-se à espera do inicio da conversa. Em frente, à boa maneira africana, debaixo das laranjeiras que dão sombra ao jardim, sentaram-se as cerca de quatro dezenas de pessoas que vieram assistir ao primeiro evento cultural promovido no café pela Associação Corações com Coroa.

No dia 11 de Outubro de 2017, assinalou-se mais um Dia Internacional da Rapariga, e o Imã Malam, Vice-presidente do Comité Nacional para o Abandono das Práticas Nefastas para a Saúde da Mulher e da Criança da Guiné-Bissau, disponibilizou-se para responder às questões colocadas por duas raparigas voluntárias da CCC: a Patrícia e a Rita.

A Catarina Furtado fez as introduções. O sorriso do Professor acordou e saudou os presentes em arábico. A Adiato Baldé, jovem guineense, voluntária, e estudante de farmácia em Portugal, que estava encarregada da tradução, esperou que começasse a falar crioulo para conseguir traduzir.

Talvez o primeiro ponto sublinhado foi que o Alcorão estabelece a igualdade entre o homem e a mulher. Especificamente, o capitulo 4 do livro, estabelece preceitos que protegem a mulher. Mais genericamente, o texto sagrado é pelos Direitos Humanos e pela Ecologia. Ocorreu-me que a mudança positiva da condição da mulher sob o Islão, defendida pelo Imã, seria verdade na Península Arábica no tempo do Profeta, mas que não seria sempre verdade noutro tempo ou local.

A Guiné-Bissau, um pais com 1.7 milhões de habitantes, distribuídos por diversas etnias como os Fula, Balanta, ou Mandiga, onde cerca de metade professa o Islão; poderá parecer um pais onde os preceitos tradicionais de cada grupo se sobrepõem à lei do pais. Mas, como referiu o Professor Malam, as leis civis devem sempre valer mais que os ditames religiosos. A Guiné-Bissau não é uma república islâmica, e as diversas comunidades convivem bem com as tradições das outras, celebrando em conjunto os eventos da religião alheia.

Eu, não deixei de torcer o nariz, quando o imã defendeu preceitos que vão ao arrepio de valores europeus, como a lei de talião, ou certas obrigações no casamento. A conversa seguiu, e a Catarina abriu o debate às questões do público presente. Um jovem guineense, com alguma pressa para ir ao teatro, pegou no microfone e, com um dedo a apontar para o céu saudou os presentes. A saudação terá sido a versão em português da feita pelo Professor no inicio (a quem o jovem tratou por mestre). À mãe da jovem Adiato, presente, ele tratou também por mãe; não porque fosse, mas por deferência ou por afinidade familiar. O respeito pelos mais velhos, comum nas sociedades africanas, era evidente. O que disse não entendi completamente, apesar do jovem me parecer habituado a prelecções. Trouxe o exemplo dum índio levado para a Europa e a quem é dito tapar a sua inapropriada nudez; mas o europeu, chegado ao continente do índio, não se despe. Parece-me ter colocado a questão: o que são os valores humanos universais? Deve-se primeiro escutar o estrangeiro antes de lhe ditar opiniões.

A Mãe: Fatumata Djau Baldé; orgulhosa mãe da Adiato; envergando um traje guineense, colorido, amarelo; sentada connosco; não se inibia de pedir o microfone e intervir respondendo às nossas questões. A Fatumata é presidente do Comité Nacional para o Abandono de Práticas Tradicionais Nefastas à Saúde da Mulher e da Criança; e contou a sua história: prometida em casamento pela família, decidiu, chegada a altura, não casar. Apesar desse esse ser um direito da mulher, defendido no Alcorão, os compromissos já assumidos pelo pai pesaram para forçar o casamento. Fatumanta, então, fugiu de casa. Com muita coragem continuou a estudar e um dia regressou, mais forte, mais consciente dos seus direitos. Hoje, Fatumada defende a educação como uma das maiores armas para melhorar a condição das jovens e mulheres no pais. A prática da Mutilação Genital Feminina está a ser penalizada nos tribunais, e a denuncia está a vir das meninas escolarizadas que, quando puxadas para o "fanado" (com 6 anos), dizem não! Paradoxalmente, é cá em Portugal, no interior da comunidade imigrante, que é mais difícil abordar o tema. Mereceu o aplauso!

A mãe Fatumata, a Catarina, e o Professor Malam Djassi

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Doce Gotinha

No dia 16 de Maio de 2016 o Auditório Eunice Munõz, em Oeiras, abriu as portas para quem quis assistir à narração encenada da obra Doce Gotinha. Antes, no mesmo dia, já a Catarina tinha subido três vezes ao palco, com o teatro cheio de crianças das escolas. Agora também os adultos podiam assistir. Porque não aceitar o convite para viajar numa história infantil? Ficar leve, leve, soltar-nos da terra e viajar até às nuvens, como uma gota de chuva. Aos crescidos também nos é permitido e faz-nos tão bem. É de ver, ouvir, cantar, e repetir, e deixar a imaginação levar-nos como a uma criança.

Esta história da Doce Gotinha é o ciclo da água contada pela Catarina com o jeito mágico dela: molha as letras secas com a boca, estende os braços como uma árvore, e as palavras ditas ganham uma vida, com voz e corpo. Se não fosse suficiente para arrancar a imaginação, à frente correm as gotas de água, e as flores, e os humanos Gastões: são os desenhos animados do Alberto Faria projetados na tela que cobre toda a boca de cena; do piano pingam os sons compostos pelo Emanuel de Andrade; e na voz, a fazer parceria com cantigas, está o José Pedro Gil.

Este é o regresso dum projecto que surgiu em 2011 com o apoio dos Serviços Municipais de Água e Saneamento (SMAS) de Oeiras e Amadora. Nesse ano foi editado um CD com as músicas, sendo que quem deu a voz às canções foi a Maria João, e o José Pedro Gil encarregou-se da narração. O objectivo, para o futuro, é levar o projecto a mais escolas e teatros.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Os Dias Realistas no Queridas Manhãs


Dia 16 de Janeiro de 2017, meio da manhã, nos estúdios das SIC em Carnaxide. A Catarina tira uma selfie com o companheiro João Reis e com o encenador Marcos Barbosa, para avisar nas redes sociais que está prestes a entrar no ar para falar da peça Os Dias Realistas com a Júlia Pinheiro, apresentadora do Queridas Manhãs.

Marcos explica a dificuldade da peça: O texto é desafiante. O próprio texto é sobre a linguagem. É um trabalho de rigor afinar os diálogos entre os actores, que seguem num ritmo natural, em que as falas se intersectam, e que cada palavra escrita pelo autor tem que ser respeitada.

Os personagens falam sem filtro, principalmente o Tó desempenhado pelo João Reis, que pela primeira vez representa ao lado da mulher Catarina. Gostamos de trabalhar um com o outro e damos-nos bem, diz a Catarina. Por ter menos experiência no teatro que o marido, é natural que fique mais nervosa, e que procure o conselho do João. Não ficou claro como ele responde. Não trato a Catarina de maneira diferente dos outros actores, diz o João. Nós sofremos imenso um pelo outro e estamos sempre a torcer para que a coisa corra bem.

O apoio muito é essencial. A vida profissional super preenchida e a vida familiar, com os dois filhos, assim o exige. Ao mesmo tempo que esta em cena, a Catarina continua a editar os Príncipes do Nada, entre outras coisas que não lhe deixam muito tempo para dormir. A Catarina sacrifica o sono porque, diz eu gosto muito de viver, não consigo suportar a ideia que um dia vá desaparecer daqui, eu e as minhas pessoas. Essa ideia está sempre latente. Esse dia pode ser amanhã. Portanto, não há como parar. Há coisas que eu tenho a certeza que quero fazer na vida e vou lutar por elas.

Video da entrevista
Reportagem com cenas da peça

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Catarina Furtado apresenta a 4ª série do "Príncipes do Nada" no Agora Nós (2017)

 
Então marque já na sua agenda, todas as quintas-feiras, às 21 horas, e durante 10 semanas, a RTP transmite um episódio do Príncipes do Nada. O primeiro é já amanhã, dia 5 de Janeiro. Na véspera da estreia, a Catarina passou pelo Agora Nós para falar sobre o programa.

É o regresso da Catarina ao formato de documentário que ela descreve como o programa mais importante da minha vida. Esta 4ª série resulta duma parceria entre a estação publica de televisão e o Camões - Instituto da Cooperação e da Língua. E, com ele, vamos viajar até a São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor Leste.

No primeiro programa ficaremos a conhecer os problemas enfrentados por pessoas albinas em Moçambique; e, num pais do qual não estamos habituados a receber noticias muito positivas, mas pelo qual a Catarina tem especial afecto, vamos acompanhar a promoção de boas práticas agricultas na Guiné-Bissau. Esperamos poder retratar o povo tão maravilhoso que é.

Esta passagem da pela tarde da RTP terminou com uma pergunta muito direita, e colocada de maneira coloquial, pelo apresentador José Pedro Vasconcelos à Catarina: Nunca te passas da cabeça? Ou seja, nunca te revoltas? A Catarina responde: Há momentos em que desabo, em que choro, mas nestas viagens eu encontro pessoas que não desistem. Então quem sou eu para desistir? Eu tenho o privilégio de poder levar o meu repórter de imagem, o Hugo Gonçalves, e o meu produtor, o Ricardo Freitas... para conseguir mobilizar as pessoas. A Catarina é otimista. É otimista porque vê vidas mudarem. Não só uma. Mas mesmo que fosse só uma... cada vida conta.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Os vestidos das galas do The Voice Portugal (2016)

Para as galas do "TheVoice Portugal" o Nuno Baltazar desenhou 6 vestidos inspirados em estrelas da música pop. Foram eles:







sábado, 31 de dezembro de 2016

The Big Picture - Especial de Natal (2016)


A Catarina e o Vasco, "vasquinho", Palmeirim, juntaram-se para uma edição Especial de Natal do concurso da RTP, The Big Picture, emitido no dia 23 de Dezembro de 2016. As receitas monetárias do prémio (que no final foi 3750€) foram para a associação sem fins lucrativos P&D Factor. P de População, e D de Desenvolvimento. É uma ONG portuguesa que intervém na sociedade para que as políticas de promoção do desenvolvimento e defesa dos direitos humanos se mantenham na agenda.

O meu momento favorito? Quando a Catarina, numa pergunta para 500€, sem nenhuma ajuda gasta, decide arriscar na resposta, confiando na sua intuição. Isto, da intuição, não é escolher ao calhas, de todo. É juntar subterraneamente uma série de pequenas memórias, ponderações emocionais, e subtis percepções exteriores, que não se conseguem encaixar num raciocino lógico, para tomar uma decisão rápida e provavelmente certa. A Catarina é uma mulher muito inteligente e sensível, por isso as decisões tomadas por intuição resultam.